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Das árvores, dos carros, e das pessoas

A Av. Guerra Junqueiro, em Lisboa, tem, segundo a Junta de Freguesia do Areeiro, 53 árvores. Destas, 22 estão marcadas para serem cortadas daqui a uns meses, por estarem podres. Entretanto, e até lá, decidiram fazer, em Maio, a meio da Primavera, uma poda radical daquelas árvores todas. Lá se foi a sombra e a beleza da Avenida…

Mas o que mais me fez pensar foi isto, o porquê:

O autarca do PSD admite que está a ser feita “uma poda drástica”, mas nota que estavam em causa árvores que “não foram podadas ao longo de 30 anos”. Fernando Braamcamp acrescenta que este ano já houve “cinco ou seis” carros atingidos por ramos de árvores na Guerra Junqueiro e diz que foi sua preocupação actuar “antes que acontecesse alguma desgraça”, como a do homem que morreu no início da semana em Braga.

Fonte

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Nesta cidade, se ramos de árvores caem sobre carros, cortam-se todos os ramos das árvores, ou cortam-se as árvores por inteiro. Não é preciso ter havido ainda vítimas humanas, basta ter havido vítimas automóveis – são pro-activos, para proteger as pessoas.

Em Lisboa, há todos os anos mais de 700 atropelamentos de pessoas por condutores de automóveis. Globalmente, em 2014 houve 24600 sinistros, com ~60 mortos, mais de 330 feridos graves, e ainda 36400 feridos leves.

Ainda o presidente da Junta, sobre as árvores:

“Compreendo as críticas, mas entre garantir a segurança das pessoas que circulam ali diariamente e se calhar exceder-me um bocadinho no zelo da protecção, prefiro isto”, remata.

A Freguesia do Areeiro tem no seu território a Av. João XXI, a Av. de Roma, a Av. Gago Coutinho, a Av. Almirante Reis. Quem todos os dias passa por aqui, nomeadamente a pé, mas também de bicicleta, sabe bem que ninguém está realmente preocupado em “actuar antes que aconteça alguma desgraça”, e que o “zelo da protecção”, a existir, não é para com as pessoas, ou pelo menos as pessoas enquanto cidadãos que andam a pé, mas quanto muito, para com os carros, ou para os donos dos ditos (apesar destes também morrerem e se ferirem nas ruas da freguesia, fruto do seu próprio comportamento, que a Junta e a Câmara permitem, facilitam e até incentivam).

Se protegessem as pessoas dos automóveis como protegem os carros das árvores, esta cidade seria muito mais amigável.

 

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