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O que se passa na Rua Infante Dom Pedro

Já perdi a conta ao número de vezes que vi alguém, nomeadamente jornalistas, cometer esta gaffe.

Quando estiver finalmente construído o troço da ciclovia junto à via férrea, ligando a Rua de Entrecampos à Travessa Henrique Cardoso e à Rua Infante Dom Pedro – artéria que vai desembocar na Avenida de Roma -, será possível percorrer em bicicleta a zona compreendida entre Entrecampos e a Avenida Almirante Gago Coutinho, até à área próxima do Parque da Belavista.

in O Corvo, “Ciclovia entre Campo Grande e Alvalade travada por providência cautelar

Quem leia isto e não saiba melhor, fica a pensar que até esta ciclovia ser concluída, não se pode ligar de bicicleta Entrecampos e a Av. Gago Coutinho. Ou seja, porque só se anda de bicicleta em ciclovias, obviamente. É um bocado preocupante esta ignorância (ou simples negligência) dos jornalistas, pois reflecte e reforça a da população geral. Bastava substituir umas palavras para a mensagem passar correctamente:

Quando estiver finalmente construído o troço da ciclovia junto à via férrea, ligando a Rua de Entrecampos à Travessa Henrique Cardoso e à Rua Infante Dom Pedro – artéria que vai desembocar na Avenida de Roma -, será possível percorrer de bicicleta, sempre em ciclovia, a zona compreendida entre Entrecampos e a Avenida Almirante Gago Coutinho, até à área próxima do Parque da Belavista.

As bicicletas são velocípedes e estes são reconhecidos como veículos, tal como os automóveis, há muito tempo (não, não foi só com as alterações ao Código da Estrada que entraram em vigor no início deste ano…). E os veículos podem e devem circular nas faixas de rodagem e, logo, sempre se pôde fazer o percurso Entrecampos – Av. Gago Coutinho de bicicleta, não estamos todos à espera deste pequeno troço de ciclovia para o fazer.

Passo nesta zona todos os dias pois trabalho ali. O que irá tornar o acesso mais fácil na zona em causa neste artigo é a ligação das duas metades da Rua Infante Dom Pedro, ao permitir a alguém que venha, de bicicleta, do lado sul da Av. de Roma, ou da Av. Frei Miguel Contreiras, aceder mais directamente à Travessa Henrique Cardoso e à Rua de Entrecampos. Claro que, para permitir tal acessibilidade, a ciclovia só é necessária porque é a única forma de permitir a circulação nesse sentido, visto que a nova rua terá apenas uma via de trânsito, no sentido Entrecampos-Av. de Roma, duplicando a função da Travessa Henrique Cardoso, logo ao lado, em vez de duplicar a função da mais distante Rua Frei Amador Arrais.

Faria muito mais sentido que a nova ligação tivesse o sentido geral Av. de Roma – Entrecampos, pois simplificaria o acesso à Travessa Henrique Cardoso, e ao lado poente da Rua Infante Dom Pedro, para quem vem do lado sul da Av. de Roma, ou da R. Frei Miguel Contreiras, e tivesse também o sentido contrário permitido apenas a velocípedes, para o acesso mais facilitado destes à R. Frei Miguel Contreiras. Seria uma solução mais funcional para todos e mais barata. Talvez sobrasse mais dinheiro para uns ajardinamentos e uns bancos.

De resto, em obras novas, de 2014, continuam-se a tratar os ciclistas como cidadãos de segunda. Basta ver que os postes de iluminação da estrada estão plantados na faixa de rodagem reservada a velocípedes, não estão na faixa de rodagem banalizada, nem em nenhum outro espaço próprio para tal.

Fonte: O Corvo

Fonte: O Corvo

Numa nota muito mais positiva, os candeeiros escolhidos para o outro lado da rua, na zona pedonal, são óptimos. Iluminam de forma excelente o chão e aquela zona, mas não criam poluição luminosa para quem vive nos edifícios.

De resto, estou muito intrigada com duas questões desta notícia. A primeira é esta:

“O que entusiasma os moradores nesta obra é, sobretudo, o facto de estabelecer a ligação entre as duas metades da rua, o que é um sonho com mais de 50 anos”, adiantou Margarida Rego.

Não percebo o que é que ligar as duas metades da rua tem de relevante em si mesmo. Querem passar de duas semi-ruas calmas para uma rua com mais tráfego automóvel? E porquê? Escapa-me aqui algo.

A outra questão é: qual a razão que levou alguém a instaurar uma providência cautelar e interromper as obras? Qual a motivação, qual o objectivo? Apesar do sentido de trânsito ser o oposto do ideal, a zona está a ser requalificada, valorizando os edifícios e a vivência de quem ali vive ou trabalha… Opto por não considerar a hipótese de poder ser pela perda de espaço para estacionamento de automóveis…

One thought on “O que se passa na Rua Infante Dom Pedro

  1. Valha-me Deus diz:

    Gostava de saber se caso não derem razão a esta providência cautelar, quem a colocou também terá de indemnizar a autarquia pelo tempo que a obra esteve parada e seu consequente acréscimo de custo???

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